terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O maligno círculo vicioso de pseudo necessidades

Cabana de Palha, Praia de Moreré, ilha de Boipeba, 7 de fevereiro de 2017

Estamos, eu Dengo, e a minha amorosa esposa, Paulinha, há 4 dias hospedados em uma cabana de palha, no mato sem portas nem janelas, bem próxima à praia de Moreré. Em um vilarejo bem pequeno onde todos se conhecem e não há violência, barulho, correria nem poluição. Estamos tendo uma experiência por demais enriquecedora e agradável. Estamos dormindo escutando as cigarras, pássaros e o barulho do mar. Estava com medo do calor à noite, mas está muito agradável, durmo melhor que no ar condicionado do nosso lar na Pituba. A cabana chega até a ser afrodisíaca! Minha pobre esposa que o diga… tadinha. Aqui percebi de forma mais evidente o quanto o sociedade humana está toda cagada.

Para nos isolar um pouco da violência criamos paredes de alvenaria e para isso precisamos inventar o ar condicionado;

Para a energia do ar condicionado, queimamos combustíveis fósseis e alagamos grandes áreas com comunidades, fauna e flora;

Geramos poluição e precisamos criar o repelente para nos proteger dos mosquitos atraídos pelos esgotos;

Nos agrupamos em comunidades para nos beneficiarmos mutualmente e acabamos fugindo da interação humana. Times de futebol, nível de escolaridade e de grana, opção sexual, religiões, partidos políticos, cor da pele, muitas vezes matando uns outro por execrarmos as diferenças. Se não nos toleramos, nem nos respeitamos para que nos juntarmos em grandes populações? Que sentido isso faz?

Inventaram que devemos ter vergonha do nosso próprio corpo e dai surgiu a industria têxtil, a futilidade da moda e o trabalho escravo da M. Officer, Renner e coleguinhas;

Embutiram na nossa mente a falsa ideia que precisamos ser melhores que os outros. Separaram o mundo entre vencedores e perdedores. Que maravilha perceber que os supostos perdedores levam uma vida com mais qualidade que os supostos vencedores;

Essa busca pelo “status social” criou a desigualdade social, violência, e prisões com super lotação e rebeliões;

Só lembrando que foi o medo da violência que nos trancou nas paredes de alvenaria...

Nos imputam culpa e medo em expressar sentimentos e emoções. Assim vamos plantando uma bomba relógio de sentimentos reprimidos.

“Não beije em público, sexo é coisa feia, não reclame do trabalho, dançar e chorar é coisa de mulher, você é loco de viver de arte? Vá procurar um emprego de verdade!”

E assim, ficando reféns dos nossos sentimentos. Para fugir deles tomamos calmantes e vamos para psicólogos. Consumindo drogas e metralhamos pessoas em cinemas e escolas para relaxar, só para relaxar. De uma tensão que não deveria existir se tivesse tido vazão ao invés de repressão.

Fomos feitos para apreciar o Muito. O muito dinheiro, muitas mulheres, muita comida e bebida, muito orgulho e poder;

Eu também já fui vítima, e ainda sou, de algumas das pseudo necessidades que nos são transmitidas por esta sociedade doentia. Aos poucos estou acordando e me libertando.

Percebo que a beleza da vida está nos Poucos. Pouco impacto ambiental, poucos bons amigos, pouco estresse, pouca ansiedade, pouca tecnologia, poucas necessidades e poucos bens.

Pare agora e avalie se as premissas da sua vida fazem sentido, pois as minhas não faziam.

Está na hora de percebermos que estamos nadando em um grande mar de merda e tentar sair dele! Esta merda já tá fedida demais!

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